FORMAÇÃO DO POVOADO MORRINHOS / DEMERVAL LOBÃO

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Em 1877, foragidos de terrível seca, os irmãos: Nazário, Marçal, e Rodrigo da Costa Azevedo, procedentes do município de Novo Oriente no estado do Ceará, chegaram e se instalaram no lugar Santa Rita formando um pequeno aglomerado de casas. Neste local faziam a feira à sombra de uma árvore chamada Oiti, mas, cerca de 2 km, havia uma pequena povoação que contava com um comércio mais adiantado, por ser localizado às margens da estrada de rodagem ( nome chamado na época) hoje BR- 316.

Os moradores de Santa Rita, insatisfeitos com a recusa da doação da área onde estava situado o galpão da feira, transferiram-se para este local, o qual situava-se nas terras do senhor Benedito Luiz de Moraes, que sendo um homem muito religioso,doou 10 hectares de suas terras para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e logo em seguida aforou como patrimônio da Igreja Católica, através de um documento chamado “Carta de Aforamento”, essa atitude tinha como objetivo o crescimento da população. As pessoas compravam seus lotes de terra construíam suas casas, vendendo já se encontravam no Registro de Imóvel em cartório, mas, o terreno continua sendo patrimônio de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Esse documento foi feito assim, para adquirir recursos financeiros e cobrir as despesas da igreja. Hoje as pessoas vendem suas casas, mas, continua sendo foreiro do patrimônio da Igreja.

Com a construção de várias casas às margens da estrada, o local recebeu o nome de Morrinhos, pois, era um lugar situado entre Morros.

A primeira feira de Morrinhos realizou-se no dia 28 de Outubro de1929. Morrinhos era passagem e parada obrigatória de pessoas que traziam seus produtos em cargas no lombo de burros, etc., para venderem em Teresina e por ser um povoado mais próximo da capital, tornou-se um importante pólo de progresso.

ASPECTO ECONÔMICO DO POVOADO MORRINHOS

A lavoura, a pecuária, extração de babaçu e tucum eram muito importantes, mas, deve-se observar que para se desenvolver o povoado contava na área do comércio com: uma loja de tecidos, uma máquina de pelar arroz, pertencente ao senhor Luiz Alves de Araújo, o qual comprou a propriedade Lagoa de Baixo, fez o desmembramento segundo a lei, loteando as terras para serem vendidas, iniciando a localidade Lagoa, hoje chamada “Lagoa do Piauí”.

Outro comerciante da época era o senhor Gentil de Sousa Melo que possuía também uma loja de tecidos. Luís Alves de Carvalho (Lucas Alves), comerciante de tecidos e gêneros alimentícios, hoje em sua homenagem existe a fazenda São Lucas, na entrada da cidade.

Emídio Rodrigues Coelho, conhecido como Bida, foi o dono da primeira farmácia.

José Galdino Sobrinho, foi o segundo farmacêutico e o primeiro dentista prático, exercia esta atividade em sua própria residência e montando uma burra, levando sua maleta com os instrumentos de trabalho, andava pelos interiores da região fazendo extração e prótese dentária e em certa ocasião chegou até a fazer o parto de uma senhora. Como farmacêutico prático, receitava medicamentos para todas as pessoas que o procuravam e também fazia curativos.

O primeiro coletor (cobrador de impostos) do povoado foi o senhor Honório da Costa e Silva e sua esposa, Francisca Vieira de Morais e Silva. Ele arrecadava os impostos estaduais e ela os municipais.

ASPECTO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO DO POVOADO MORRINHOS

No dia 28 de Janeiro de 1950, inaugurou-se a sub-prefeitura do povoado Morrinhos que possuía os seguintes cargos: subprefeito, um secretário, um escriturário, um contínuo que abria as portas e zelava o prédio da sub-prefeitura e mais três pessoas que tinham a função de limpar as ruas, o curral e o matadouro.

NOME DOS SUBPREFEITOS:

1º: JOÃO DA SILVA SOARES- natural de Teresina, mas, morava em Morrinhos, foi seu secretário: Aquiles da Silva Monteiro.

2º – FAUSTO DA COSTA AZEVEDO, filho de Mamede da Costa Azevedo, natural de Morrinhos.

3º – NELSON DE AMORIM CARDOSO, conhecido como Major Nelson, era proprietário das terras onde hoje está situado o bairro Parque Vaquejador.

4º – AQUILES DA SILVA MONTEIRO, sobrinho do dono de uma loja de disco em Teresina, a qual se chamava Madariaga. Era residente em Morrinhos.

5º – JOSÉ MENDES SOBRINHO, residente em Morrinhos, falecido recentemente, foi um dos fundadores e presidentes da União Artística Morrinhense.

6º – MARIA DO SOCORRO CARVALHO, era sobrinha  do primeiro sub-prefeito.

7º – INÁCIO OLIVEIRA DE CARVALHO, residente em Morrinhos, falecido recentemente no Município de Beneditinos. Foi o último subprefeito.

O período de subprefeitura do povoado Morrinhos foi 16 anos.

PODER JUDICIÁRIO

Morrinhos era termo Judiciário de Teresina, existindo o primeiro cartório de Registro Civil e Tabelião de Notas com a denominação de “Cartório Único Evilásio Veloso”, sendo dono o senhor Manoel Evilásio Veloso, concursado em Maio de 1963, filho de Luiz Rodrigues Veloso e Maria Francisca Veloso, comerciantes e proprietários de terras no povoado, possuía uma família numerosa 12 filhos. Eram muito religiosos e ajudaram na construção da Igreja Matriz.

As funções do cartório eram: registro de nascimento, casamentos, óbitos, escrituras, procurações, registros de imóveis, reconhecimento de firma, registro de títulos e documentos e outros papéis.

Os casamentos eram feitos todos os sábados, presididos pelo “Juiz de Paz: José de Carvalho Lima”, dono das terras onde hoje está situada a cidade de Lagoa do Piauí; o escrivão dos aludidos casamentos era o senhor Manoel Evilásio Veloso, tendo o parecer do Adjunto promotor senhor: Martiniano Medeiros da Costa, residente no povoado.

O Senhor Juiz de Paz possuía dois suplentes: o 1º era: Domingos Alves da Costa e o 2º o senhor Luiz Gonzaga de Carvalho, ainda vivo comerciante em Teresina dono do Armazém Carvalho e da Fazenda São Lucas em Demerval Lobão.

Na época para se fazer uma justificação de nomes nas certidões (casamentos, nascimentos ou óbitos), teria que se deslocar para Teresina a fim de colher o despacho do Juiz de Direito da Vara Cível.

A professora da Escola “Singular Míster”, a qual recebeu o nome de “Escola Agrupada Mister”, hoje Unidade Escolar “Wladimir de Abreu” reunia (professores, alunos,pais e populares) , aos sábados e iam para o lugar chamado olho d’água e traziam pedras na cabeça para construir a igreja.

O olho D’água era assim chamado porque borbulhando, jorrava água constantemente, os moradores do povoado iam até lá traziam água dentro de ancoretas, penduradas em cangalhas colocadas em lombo de jumentos e burros; as senhoras e jovens traziam água em latas e cabaças que eram forradas com uma rodilha de pano e apoiadas na cabeça, essa água era usada para consumo próprio e de seus animais. Nos finais de semana as senhoras e moças lavavam roupas nesse riacho, o qual recebia ao longo do seu percurso onde a água era mais funda diversos nomes como, poço da forquilha, poço dos homens, poço do talhado, poço das pacas, o qual hoje se encontra o Rancho da Lua.

Ao iniciar a construção da igreja, foi cavado um buraco na porta principal, a população jogou dentro do mesmo, cédulas e moedas, pois, era o costume tradicional da época.

O sino da igreja foi inaugurado no dia 08 de Janeiro de 1959, quando aconteceu a cerimônia de casamento do senhor Luiz Gonzaga de Carvalho e Josefa da Silva de Carvalho, comerciante de destaque da época. O sino da igreja possui uma referência para os habitantes da cidade desde o quando povoado Morrinhos, ao tocar as badaladas de maneira rápida é avisando que vai haver missa na igreja, se toca pausadamente é avisando a morte de uma pessoa da paróquia, esse é um costume tradicional desde a fundação da cidade.

Com o passar do tempo foi comprado um auto-falante (amplificadora) para a igreja, vinha uma pessoa de Teresina para fazer os programas musicais durante o festejo da padroeira.

Após algum tempo foi feita uma consulta aos jovens da época para a escolha de quem assumiria a programação do auto-falante e foi escolhido o jovem Manoel Evilásio Veloso que trabalhou de 1955 a 1962. O primeiro nome da programação foi “Serviço de auto-falante IRACEMA – A VOZ CATÓLICA DE MORRINHOS”.  O nome Iracema foi escolhido em homenagem ao livro do poeta José de Alencar.

No período do festejo os noitantes, principalmente as senhoras visitavam as residências do povoado pedindo jóias para os leilões.

Na noite dos jovens, reuniam-se grupos e paravam os carros na estrada para pedirem ajuda financeira para sua noite, faziam bingos, as moças faziam cordões cercavam os rapazes para arrecadar dinheiro para noite dos jovens.

COMO ERA O LAZER NO POVOADO MORRINHOS

As festas dançantes eram tocadas por acordeom, acompanhadas de pandeiro cavaquinho e zabumba, o melhor sanfoneiro da época era o senhor fuminho (ainda vivo), as músicas tocadas era forró e bolero.

Essas festas ocorriam mais no interior quando acontecia ter o festejo de um santo de guarda, eram feitas uma grande latada coberta de palhas de coco e de chão batido, na sede do povoado, ocorriam no salão da União Artística Morrinhense.

As jovens arrumadas chegavam  ao salão da festa  sentavam-se em bancos improvisados para este fim à espera que os rapazes viessem tirá-las para dançar. Essa dança era feita com o par (moça e rapaz) dançando abraçados, os quais tinham que observar o ritmo da música tendo o cuidado para não pizar nos pés um do outro, porque se assim acontecesse, a moça ficava sem dançar o resto da festa porque nenhum rapaz a convidava para dançar.

Havia também os matinê que eram feitos nas tardes de domingo às vezes em casas de famílias.

As crianças, nas noites enluaradas brincavam de roda, esconde-esconde, barata( corrida em grupo para ver quem chegava primeiro a um determinado lugar, quem chegasse por último comia a barata podre)., bombaquim, pular cancão, (hoje amarelinha), jogo de pedras com as mãos( duas crianças sentadas no chão cada uma com dez pedras pequenas jogavam  fazendo movimentos com as mãos aparando-as, quem não errasse  ganhava a partida).

Moças e rapazes brincavam de prenda ( formava-se uma grande roda no terreiro da casa, era chamado o nome de alguém e se determinava uma tarefa a ser feita,quando esta pessoa não fazia pagava uma prenda).

Nas noites de sexta-feira santa, os rapazes roubavam galinha caipira para serem cozidas e comer à meia noite, enquanto aguardava-se a hora brincava-se muito e vigiava-se (o juda) feito para os rapazes não roubarem e rasgá-lo antes do amanhecer.

MUDANÇA DO NOME DO POVOADO MORRINHOS PARA DEMERVAL LOBÃO

Com a elevação do povoado à categoria de cidade aprovada pela a Assembleia Legislativa através da Lei estadual nº 2553 em 09 de Dezembro de 1963, publicado no Diário Oficial do estado do Piauí, quando era governador o senhor Petrônio Portela Nunes recebeu a denominação de Demerval Lobão, em homenagem a Demerval Lobão Veras, candidato ao governo do estado.

Na manhã de 04 de Setembro de 1958, no quilômetro 14, entre Teresina e Morrinhos, aconteceu um terrível acidente entre um automóvel e uma caçamba, o automóvel era dirigido pelo motorista José Raimundo de alta confiança dos políticos da época, sendo a estrada empiçarrada, a dita caçamba ao desviar de outro veículo, devido à poeira forte, chocou-se de frente com o automóvel, morrendo quatro pessoas deste e, três pessoas da caçamba, sendo que do automóvel, dois eram Marcos Parente e Demerval Lobão Veras que estava em campanha política para o governo do Estado e se dirigia para a cidade de Água Branca a fim de fazer um comício.

Morrinhos era o povoado próximo do local do acidente, recebeu o nome de Demerval Lobão.

Foi grande a comoção popular com a morte do candidato a Governador devido a grande aceitação do povo piauiense.

Para substituir a sua candidatura, foi escolhido o senhor Francisco das Chagas Caldas Rodrigues que foi eleito com alto índice de votação.

Com a criação do município de Demerval Lobão, foi feita a campanha eleitoral para prefeito no ano de 1966, sendo eleito o 1º prefeito o senhor Francisco Luiz da Costa Morais e empossado no dia primeiro de Janeiro de 1967.

A cidade não contava ainda com energia elétrica, sendo que a inauguração desta se deu no dia 20 de Novembro de 1970.

A comarca do município foi criada e instalada no dia 09 de Dezembro de 1983, no prédio da Rua São José nº 820, o primeiro Juiz de Direito Dr. José Olímpio Passos Galvão e promotora, Dra. Teresinha de Jesus Borges Campos, na época era presidente do Tribunal de Justiça do Piauí o desembargador Paulo de Tarso Melo e Freitas.

ACESSE O VÍDEO:http://www.youtube.com/watch?v=Rt4hdaNck3w

REDAÇÃO: ANTONIA TEIXEIRA DE SANTANA, ESTUDANTE DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ-PÓLO DE MONSENHOR GIL.

 

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